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A coragem e o idealismo de Divaldo


Washington Luiz Nogueira Fernandes

Algo que merece registro é o fato do médium Divaldo Franco ter enfrentado situações muito adversas em sua jornada de divulgador do Espiritismo no mundo, sem se intimidar com guerras, conflitos civis e ditaduras. Muitos fatos estão registrados:

- um dos primeiros ocorridos se deu no Panamá, na década de 1960, quando recebeu convite para fazer conferências nessa cidade. Do aeroporto, tomou um carro e deu o endereço ao taxista do hotel onde ficaria. O motorista alertou-o dos perigos daquele lugar pois estavam em guerra civil e havia muitos conflitos na região. Pensativo, e com certa preocupação, Divaldo hospedou-se no hotel e banhou-se, descansando um pouco e saiu à rua para verificar a situação antes de ligar para o confrade espírita. Andou um pouco e subitamente ouve uma série de tiros disparados e uma multidão correndo esbaforida. Não pôde retornar ao hotel, pois este estava sitiado pela Guarda Nacional. Depois de horas, os ânimos se acalmaram, ele pôde entrar no hotel, ligou para o confrade amigo. Apesar de tudo, Divaldo concordou em fazer a palestra à noite. Do local da mesma se podia, em alguns momentos, ouvir tiros do conflito, gerando até certo desconforto em muitos na platéia, mas Divaldo cumpriu até o fim, com destemor, sua missão na divulgação espírita;

- muito comentadas foram suas primeiras palestras espíritas, em Portugal, desde 1967, no tempo da ditadura de Antônio de Oliveira Salazar (1889-1970), no poder desde 1932, quando cercou os direitos e garantias individuais. O catolicismo era a religião oficial e outras doutrinas religiosas e filosofias eram mal vistas perante as instituições ditatoriais. Mesmo assim, Divaldo fez um corajoso roteiro de palestras, inicialmente em oito cidades, e as propagandas para os eventos disfarçavam-se como convites para sessões de confraternização e piquenique, com um representante do neo-espiritualismo do Brasil. Em Santarém, Divaldo fez a palestra no porão da casa de um confreira e, até hoje, já percorreu de norte a sul do país, num abençoado labor de divulgação doutrinária;

- não foram diferentes suas primeiras palestras em terras espanholas, começadas também em 1967, em Madrid, durante a ditadura do general Francisco Franco (1885-1975), protetor da igreja católica. Ele vinha de Portugal e passou em Madrid, antes de voltar ao Brasil, na intuição e confiança de que uma porta se abriria para a divulgação espírita. Ao sair do aeroporto, ouviu um Espírito que lhe sugeriu telefonar a uma senhora, pois ela seria sua introdutora entre os simpatizantes do Espiritismo na Espanha. Deu-lhe o número do telefone e endereço. Ela ficou receosa, pois o marido houvera sido assassinado e temia algum tipo de perseguição. Cedeu quando Divaldo, sob inspiração espiritual, descreveu sua residência, o que ela tinha feito pela manhã, e transmitiu um recado de um Espírito que houvera sido seu padrinho de formatura. Ela concordou então em recebê-lo para conversar. Marcaram uma reunião para a mesma noite, na qual compareceram 12 pessoas. Um senhor se ofereceu para uma reunião do dia imediato, no qual compareceram 36 pessoas e no 3º dia foram mais de 80. Assim, as portas se abriram em Espanha;

- merecem registro, também, suas atividades em Dalatando (ex-Salazar), na África, em 1975, quando estavam sendo travadas lutas para acabar com o neo-colonialismo português. Divaldo não se intimidou e cumpriu extensa jornada de palestras. Saiu ganhando o Espiritismo.

 
     
 
 
 
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