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Workshop A Educação - 2º Congresso Espírita Mundial


Divaldo, uma Universidade Espírita seria oportuna para o momento histórico de transição para o terceiro milênio?

Divaldo - O problema de uma escola espírita tem sido debatido nos últimos cinqüenta anos por todos aqueles que estão preparando as bases da educação espírita para o futuro.

Naturalmente, uma Universidade Espírita será, primeiro, um grande desafio para os espiritistas, o que não quer dizer que seja impossível de realizar, mas poderá contribuir grandemente, desde que tenhamos a escola espírita preparatória desde o jardim de infância, para que, ao chegar à Universidade haja toda uma historiografia do desenvolvimento intelecto-moral do aluno, a fim de evitarmos que a nossa Universidade Espírita possa chegar ao ponto em que chegaram outras Universidades que trazem a rotulagem religiosa que tipifica a crença dos seus diretores, impedindo a liberdade de expressão.

Nós confiamos que, oportunamente, teremos educandários espíritas mesmo sem o título de espírita, porque isso não pode deixar de ser uma forma também de limitar a educação.

A educação, no seu sentido pleno, é neutra. O Espiritismo a vitaliza, dá-lhe paradigmas, mas não poderemos aguardar, por exemplo, que um católico, um protestante, honestamente vinculados às suas doutrinas, um muçulmano, um hinduísta, ou uma pessoa livre pensadora e até um negador das realidades divinas, venham buscar em um educandário de formação espírita aquilo de que têm necessidade para a .sua formação cultural e sua adesão de ordem religiosa.

No Brasil nós temos uma vasta experiência, positiva, na Universidade Paraná-Santa Catarina, que tem, na sua programação, classes de experiências de laboratório que levam à visão espírita e trazem grande contributo do Espiritismo para os alunos. Mas será ideal que nós não venhamos a vincular a educação aos postulados espíritas para que ela se torne restritiva.

Nós iremos iluminar a educação com as nossas informações doutrinárias, a nossa conduta, para que o Espiritismo, um dia, possa servir de apoio a todas as doutrinas e a todas as pessoas, como previu Allan Kardec.

Não podemos ter a ingenuidade de crer que em futuro próximo ou relativamente remoto todas as pessoas venham a ser espíritas, mas poderemos anelar que o Espiritismo irá robustecer a fé de quem já a tem e dá-Ia a quem não a tem, para que esses indivíduos possam ter uma visão diferente de mundo.

Então o Espiritismo poderá levar ao católico, como já vem ocorrendo entre os carismáticos, a comunicabilidade dos espíritos, demonstrando a imortalidade da alma, como em alguns arraiais, também do catolicismo, a aceitação da reencarnação para melhor entender a justiça divina, embora esses indivíduos continuem com as suas convicções religiosas. E por quê? Por uma definição psicológica. Estagiamos em diferentes níveis de consciência. Segundo Mira y Lopez, o psicólogo espanhol-cubano, o processo do pensamento leva-nos a seis estágios diferentes. Podemos ter, aqui na sala (Divaldo refere-se ao auditório), alguém de pensamento primitivo e outrem de pensamento cósmico. Podemos ter aqui, segundo Robert de Ropp, alguém de consciência de sono sem sonho e outrem de consciência cósmica.

É obvio que o de pensamento primitivo e o de consciência de sono sem sonho têm necessidade de uma confissão religiosa física, de um totem, de um amuleto, de um patuá, algo que apalpem, porque são indivíduos dos sentidos físicos.

E aqueles que já estão em outros elevados níveis de consciência, podem ter uma idéia religiosa extrafísica, uma concepção parafísica, uma concepção da realidade dos seus postulados, e dispensam formas. Daí a nossa proposta, a proposta de Allan Kardec, não é a de mudarmos o mundo, é a de nos mudarmos, no mundo, para que o mundo seja melhor.

Resposta dada em Workshop promovido durante o 2º Congresso Espírita Mundial, em Lisboa, conforme a gravação feita em vídeo, sob o tema A educação.
Fonte: Jornal Mundo Espírita, novembro 1998.
Em 22.03.2008.

 
     
 
 
 
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