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Página de Gratidão


Há os que escrevem, exaltando fatos e ditos. São biógrafos de uma realidade sensorial e de uma história visível presente nos jornais de época, nas memórias dos contemporâneos, nas fotos dos álbuns e das máquinas modernas. Estes descrevem os personagens e seu mundo social.

Acontece, porém, que em todo indivíduo existe um mundo sutil de realizações, quase sempre ignorado, somente penetrado pelas frestas dos acontecimentos. Nele se encontram as obras do espírito, permanentes, imortais, somente percebidas pelos sentidos que ultrapassam o visível e penetram recantos da alma onde se desenrolam as verdadeiras histórias do ser.

Neste dia, em que, jubilosos comemoramos a magna efeméride do teu natalício reconhecendo a grandeza visível de tua vida e recordando os frutos sazonados de tuas ações, também desejamos expressar nossa gratidão pelos ensinos somente percebidos pelos sentidos da alma.

Alegramo-nos ao lembrar a harmoniosa composição de teu verbo, em périplos que incluem desde os nobres centros da cultura internacional aos lugarejos desconhecidos interioranos, quando a palavra transdicisplinar, a voz hierática e o pensamento lúcido se afinam na construção de imagens de beleza rara e no despertar de sentimentos de sacralidade profunda.

Nossa gratidão se alteia, porém, ao imaginar os teus anos de preparação psíquica, o tempo dedicado ao enriquecimento lingüístico e cultural, os teus esforços para manutenção do patrimônio físico em condições de realizar tal proeza.

Exultamos com o sucesso dos teus empreendimentos em benefício da humanidade carente, quando se ombreiam pelo sofrimento a gestante, a criança, o jovem, os adultos desassistidos e os idosos, num amplo e bem sucedido exemplo de alteridade, representação da melhor expressividade do amor cristão.

Mais altaneiro se torna o nosso reconhecimento, ao recordarmos teus possíveis experimentos silenciosos para crescer junto a instituição, para desvelar em si mesmo uma qualidade administrativa, que provocasse a sinergia de uma pequena multidão de interesse dos seus colaboradores.

Recordamos com enlevo as milhares de páginas de conforto, de esclarecimento e enriquecimento cultural que por sua faculdade mediúnica tem chegado até nós. Algumas delas são profundas messes de amor e provocam estados espirituais que nos deixam entrever as primícias do reino da felicidade que sonhamos. Outras são convites da vida relembrando compromissos e deveres ora como filigranas de luz ora como florações evangélicas.

Mais intensa é a nossa admiração ao meditarmos sobre o teu necessário empenho em manter fidelidade aos luminares da Espiritualidade que elaboram tais escritos pois tal sintonia é condição obrigatória para tamanha realização. E imaginamos quantas batalhas invisíveis foram travadas e vencidas no teu mundo interior, entre o homem do passado que existe no recôndito de todo ser e teima em persistir no presente atraindo-te para a mesmice do mundo medíocre e o homem emergente, cristificado, numinoso, que possibilita o futuro evolutivo tornar-se realidade.

Rejubilamo-nos com as lembranças do teu acolhimento afável, anos a fio, após cada sessão, aos milhares de transeuntes, pedintes do espírito e, às vezes, da matéria que se multiplicaram dia após dia, numa amostragem significativa do padecimento humano. Tuas palavras e tuas providências personalizadas foram e são bálsamo para a alma em provas e expiações.

Mais gratos nos sentimos ao refletirmos sobre o árduo trabalho de transmitir mensagens, capazes de nos aproximar do deleite divino em laboriosa parceria com a Espiritualidade e logo após descer dos altiplanos do espírito para conviver com a trivialidade da planície das querelas humanas, das paixões em desvario, da rigidez degradante dos pensamentos obsessivos, da ignorância soez do ser, da materialidade das aspirações. E persistir mesmo quando palavras e exemplos foram olvidados pelos beneficiados na primeira esquina da vida onde o homem nega o divino e se enceguece.

E há ainda em nossas observações com os sentidos da alma, os não ditos e os não feitos, tão educativos e circunstancialmente mais significativos que algumas realizações.

Imaginamos o fechar dos lábios sem nunca antes tê-los abertos para revidar a calúnia ou esclarecer a dúvida infame assacada pela inveja e pela impiedade. A silenciosa resistência aos que pretenderam através do elogio mundano ou do oferecimento de facilidades terrestres locupletar-se de vantagens espirituais. As lágrimas não vertidas pelos olhos físicos que orvalharam o coração pela partida de companheiros quando mais representavam apoio na realização dos sonhos. O caminhar solitário pelas exóticas estradas da evolução quando a comunicação humana é incompreensível e o contato com Deus dá a impressão que Ele se distanciou. E mil outros não ditos e não feitos, intensos e transformadores que a linguagem não consegue traduzir, vividos no âmago do ser, inesquecíveis em cada alma tocada através dos contatos espirituais.

O que importa é que tua presença entre nós é sentida como um canto de esperança sobre as possibilidades humanas. A aproximação do profano à dimensão do sagrado. O transmudar do egocêntrico agir em teocêntrico ser. O desvelar da vida transcendental. A realização do humano em busca plena do divino e a manifestação do divino penetrando o humano.

E tantas benesses recebidas só podem ser retribuídas no mundo dos sentimentos. E nossa oferenda só possui neste mundo um nome: gratidão.

Parabéns, Divaldo, pelos 60 anos dedicados a mostrar o caminho da redenção e a construir mansões de amor. Parabéns também pelos 80 anos de vida profícua no mundo das realizações invisíveis.

Seremos gratos ao teu exemplo até a consumação dos evos.

André Luiz Peixinho

Homenagem prestada a Divaldo Pereira Franco, por ocasião do ato solene de comemoração do Sesquicentenário de O Livro dos Espíritos, realizado pela Federação Espírita do Estado da Bahia, no Centro de Convenções, na noite de 18 de abril de 2007, presentes 2.500 pessoas.

 
     
 
 
 
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