. : Notícias
busca por notícias/mensagens
 
 
 
 

Entrevista - Tribuna da Massa - 16.3.2019


1.Todo mundo está com uma sensação, no ano de 2019, um ano que começou pesado, com muitas notícias ruins, mortes coletivas.  Agora, recentemente, tivemos o caso dos adolescentes na Escola, um massacre. Pelo olhar da Espiritualidade, o ano de 2019 tem alguma diferença dos outros anos?

R. Não necessariamente, porque os fatos acumulam-se e vão apresentando índices alarmantes. Até este momento nossa preocupação tem sido de uma sociologia imediatista, a sociologia do prazer e abandonamos a sociologia da vida interior. Acumulamos valores externos, sem a preocupação mínima de que somos Espíritos imortais. Em face à desintegração dos valores éticos da sociedade e ao número de habitantes cada vez maior na face da Terra, a violência torna-se insuportável, e as leis divinas, como é natural, apresentam fenômenos coletivos algo dantescos, ora para nos chamar a atenção, ora para corrigir as agressões que são impostas à lei.

Nós, os espíritas, somos reencarnacionistas e Allan Kardec, o egrégio Codificador da Doutrina Espírita, quando escreveu uma das suas obras maravilhosas, a última [A Gênese], reservou todo um capítulo a essas mudanças. Para nós, não somente a sociedade evolui, mas também os planetas. Vemos a nossa própria atmosfera, hoje carregada de metais pesados, diferente da original que, por sua vez, trazia as substâncias químicas, ainda numa situação de muita gravidade. Essa evolução nasce de saltos quanticum. E saltos quanticum são a prova da medida geométrica da evolução.  Allan Kardec falou que a Terra é um planeta de provas e expiações. Noutra linguagem, as religiões, principalmente a religião Católica, fala que a Terra é um vale de sofrimentos e amarguras.  Allan Kardec demonstrou que seria como uma escola evolutiva, e em razão disso, nossa desatenção propicia fatores degradantes e perturbadores coletivos e é natural que esses fatores aconteceram naturalmente nos primórdios do ano novo.

E porque se repetiram muito deram aspecto trágico ao ano, mas não por uma eleição específica.   

2. Então, podemos dizer que todos esses fenômenos, esses acontecimentos fazem parte da nossa caminhada para o planeta de regeneração? Dá para acalmar o coração pensando que as coisas que estão ruins ficarão boas. É isso?

R. Exatamente, porque observamos que a grande mídia somente se preocupa com a tragédia. Nunca houve tantas ações nobres que ficaram à margem do esquecimento, porque somente foram registradas com muita leveza, porque a criatura humana, por incrível que pareça, hoje é melhor que ontem, seus valores éticos, suas preocupações de natureza moral estão predominando, mas com superpopulação aumenta a violência. O índice de criminalidade e de fenômenos perturbadores aumenta. É o que vem acontecendo. Mas, tudo nos indica também que haverá uma mudança, e já está havendo essa mudança.

Quem se preocuparia tanto, como no caso da tragédia de Brumadinho? As preocupações gerais, os bombeiros, a atitude humana desses bombeiros, que normalmente era uma organização algo esquecida; os gestos heroicos de muitos indivíduos.

A mesma coisa com os jovens do Flamengo, a tragédia. Agora, essa grande tragédia que ocorreu numa pequena escola nos arredores de São Paulo, sensibilizou o mundo, da mesma forma que em Auckland, na Nova Zelândia, uma tragédia semelhante no aspecto terrorismo. Tudo isso obedece apenas a um impulso: a criatura humana perdeu o endereço de Deus, e não tendo o endereço de Deus, perde-se a si mesma e faz aquele estado de vazio existencial. E no vazio existencial o indivíduo procura fugas para preencher esse tormento íntimo que é uma pré-depressão.

O Espiritismo é o grande terapeuta. A princípio, o Cristianismo. Mas ele está tão desfigurado; os aspectos em que se apresenta de pompa, em grandeza ritualística, ou noutras denominações religiosas, tantas farsas, em nome da cura, mas sobretudo em nome do deus dinheiro, do deus valor, descaracterizaram o sentido ético da palavra de Jesus. As pessoas, muitas vezes, adotam uma religião verbalmente porque faz parte da sociedade, mas não se permitem interagir, integrar, deixar-se dominar por aquele cociente nominativo da religião.

3. Qual o caminho, principalmente agora falando com os jovens, com um número de suicídios no meio deles? Como é tirar esse vazio existencial que está muito ligado a essa aceleração do imediato. Qual seria o caminho melhor?

R. Primeiro nós nos perguntarmos qual é o sentido de minha vida? O que vim fazer na Terra? Será que a morte destrói realmente a vida? Porque se chegarmos à conclusão de que a vida prossegue e a morte é somente um acidente biológico, teremos a mesma preocupação da nossa aposentadoria na velhice, das enfermidades que nos debilitam e procuraremos os recursos que nos possam atender nas horas mais difíceis.

A crença na imortalidade da alma ajuda-nos a uma sementeira que possa propiciar uma colheita de bênçãos, logo depois. A criatura tem que se situar de maneira corajosa diante de si mesma e autoamar-se. Acabar com tanto complexo de castração e estabelecer que está na Terra para uma tarefa grandiosa, que é a tarefa do amor.

Todos buscamos o amor, mas desejamos fruir, quando deveremos ter o amor para ser feliz. Através desse amor, ou do autoamor, valorizar-se e acabar com esses conflitos que nos foram inculcados por doutrinas religiosas e por uma psicologia de natureza destrutiva, desde o último movimento do século XIX, com o pessimismo dos grandes filósofos, como  Schopenhauer e outros que estabeleceram que a vida não tem sentido, para poder repassar para uma filosofia otimista.

A filosofia do Espiritismo é vale a pena viver, viver e amar. Amar é encontrar Deus. E esse Deus que está no mundo íntimo grita a fim de que Ele possa crescer para o mundo exterior. Então, surge a solidariedade e morrem os preconceitos. Valorizamos que todo mundo tem o direito de ser o que realmente é, sem perturbar a tranquilidade dos outros.

4. Divaldo, no Tribuna da Massa estamos mostrando muitos casos que, infelizmente, estão acontecendo, principalmente a violência contra a mulher, casos de feminicídio. Como se pode esclarecer em relação a isso, uma palavra que possamos tornar mais claro isso que é tão polêmico e tão preocupante.

R. Demonstrar ao homem que a masculinidade não o caracteriza como um bruto, ou insano. Na realidade, as construções hormonais que tipificam o homem e tipificam a mulher têm finalidades grandiosas na evolução. Um não pode passar sem o outro. É exatamente dessa fusão desses dois sentimentos que se aglutinam que a Humanidade é feliz. Então quando o indivíduo sem estatura moral avança para a mulher, demonstra sobretudo sua covardia, a sua infância, os conflitos que o caracterizam, a criança infeliz que ele não conseguiu superar. Vemos o ciúme, a brutalidade, essas heranças, a fome do poder, se por acaso a mulher não lhe corresponde aos anseios, como muitas vezes acontece.

Também acontece da mulher não valorizar o homem e não o corresponder, simplesmente abandonar. Temos hoje os meios lícitos, legais de dar ao outro a oportunidade de novas tentativas. Quando o indivíduo tem insegurança pessoal ele mata no outro aquilo que o caracteriza e é a maneira de autoafirmar-se, desde que não chama a atenção psicologicamente pelos valores éticos.

5. Divaldo, a Federação Espírita Brasileira lançou uma nota explicando o caso João de Deus. Mas gostaria de ouvir você para que se possa esclarecer para quem não é espírita, que não entende, a respeito do caso João de Deus. 

R. Eu não o conheço pessoalmente. Mas li, durante vários anos, desde os primórdios, quando ele apareceu com a chamada mediunidade curadora. É provável que ele seja realmente médium, porque a mediunidade é uma faculdade orgânica; ela não é típica da Doutrina Espírita. O Espiritismo usou-a porque faz parte da vida, como também usou outros argumentos filosóficos. A reencarnação não é proposta do Espiritismo, é uma filosofia da Humanidade. Esse cavalheiro passou a atender uma grande massa, mas seu caráter, segundo a imprensa revela, não estavam à altura de corresponder aos valores éticos da mediunidade. Felizmente, ele sempre se jactava de não ser espírita. O fato de ser ou não ser espírita não é relevante no caso, porque toda religião dignifica o indivíduo. Os males não são das crenças, são dos comportamentos.

Causou-nos uma grande surpresa quando veio a público seu comportamento privado, mas também de natureza pública, e temos por ele uma imensa compaixão, porque ele se enquadra, nas psicologias, na psiquiatria, nas questões de suborno, de comportamento sexual pervertido, demonstrando uma patologia profunda.

Contemplamos esse estado dele como coisa benéfica para a mediunidade, demonstrando que a mediunidade é uma forma de santificação, é uma faculdade honrada e iluminada; desonrada perturba. O Espiritismo trata da mediunidade como um instrumento, não como uma qualificação. Os médiuns são pessoas, com suas heranças atávicas, com seus problemas, com suas dificuldades. A mediunidade é um instrumento que pode ser sublimado e leva o indivíduo à plenitude.

Jesus era médium, médium de Deus. Pedro era médium dos Espíritos. A Doutrina Espírita, quando nos convida à mediunidade, convida sobretudo à reflexão, a uma ética de comportamento. Existem aqueles que têm mediunidade e dela vivem, cobram, utilizam-se dos seus favores para ludibriar as pessoas. É o mesmo que ocorre na medicina; ninguém poderia culpar a medicina pelo comportamento de determinados médicos que não correspondem à grandeza do ministério e ao juramento do Hipócrates. Daí esse cavalheiro, o Sr. João de Deus, é um indivíduo atormentado, com faculdade mediúnica inegavelmente, mas que deve ser tratado como uma pessoa portadora de um problema de natureza mental.

6. Divaldo, oTribuna da Massa vive mostrando casos pesados que as pessoas ficam pensando que só acontecem coisas ruins. Gosto muito daquela frase que diz  O mundo é o lugar ainda onde há o predomínio do mal, mas nunca se fez tanto bem. É isso, Divaldo?

R. Nunca, realmente. Seja você, meu caro amigo telespectador, aquele que pode confirmar. Mude sua vida, a maneira de viver. Mude interiormente. Há uma solução mágica apresentada por Jesus há dois mil anos: ame. Mas não ame apenas pela conquista, pelo desejo de ter, possuir, de gozar. Ame no sentido de ser feliz. Note que o sol que abençoa o pântano, é o mesmo que beija a rosa, e que todas as criaturas humanas necessitam da luz, da ternura para serem felizes. Dessa maneira procure você amar. Se você não é amado, isso não é importante,  é importante que você ame. Na vida terrestre todos temos inimigos; mas isso é tão insignificante, porque o importante é não ser inimigo de ninguém. Então ame. Se não houver correspondência, terá a bênção da alegria interior, e se houver uma resposta, muito melhor, porque vai preencher seu vazio existencial. Eu diria aos caros amigos e caras amigas que nos honram, participando do nosso programa. que, pela minha idade, que não é pouca, 91 anos, descobri e constato que a verdadeira felicidade é amar, porque somente através do amor podemos servir. Como escreveu Gabriela Mistral, Prêmio Nobel, na sua obra notável Servir: serve o ar, serve a terra, serve o  mar, serve a vida. Seja você quem serve. Obrigado.

Entrevista concedida ao programa Tribuna da Massa,
em data de 16 de março de 2019, ao ensejo da realização da
XXI Conferência Estadual Espírita, no Expotrade, em Pinhais.
Em 6.1.2020.

 
     
 
 
 
. Últimas Notícias

 
 
 
Documento sem título