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O incansável servidor



Conferência de Divaldo Franco em Paramirim - Bahia | Foto: Nilson de Souza Pereira

No ano de 1966, um grupo de estudantes universitários de Salvador, procedentes de diversas cidades da região sudoeste do Estado da Bahia, resolveu criar as Semanas de Cultura nas urbes de onde procediam.

Nessa ocasião, o jovem médico Miranda Corrêa e Silva, que residia na cidade de Nossa Senhora do Livramento, distante de Salvador 650 quilômetros, convidou o médium Divaldo Pereira Franco para abrir a programação. Divaldo já era famoso pelas Conferências que proferia por diversas cidades do Brasil e do Exterior, e aceitou a invitação, o que representou uma grande conquista para o movimento estudantil.

Posteriormente, em dezembro de 1971, o Dr. Epaminondas Corrêa e Silva, irmão do Dr. Miranda, foi o porta-voz da cidade de Paramirim, algo mais distante, para que Divaldo pronunciasse uma Conferência na 1ª Semana da Cultura local.

Divaldo aquiesceu e deu início a um labor que se vem prolongando por 36 anos ininterruptamente.

O sucesso da Conferência foi tal, que ele voltou a ser convidado no ano seguinte, e, mais tarde, quando as Semanas deixaram de ser realizadas, o povo de Paramirim, através do Dr. Epaminondas, insistiu para que Divaldo volvesse ao acolhedor solo regional.

Divaldo, não apenas concordou, como passou a visitar outras cidades da região: Água Quente (atualmente Érico Cardoso), Livramento de Nossa Senhora, Brumado, Dom Basílio, Rio de Contas, Caetité, Guanambi, Macaúbas, Barreiras, Boquira, Ibotirama, Igaporã, Santa Maria da Vitória, São Desidério e Serra Dourada, num esforço compreensível…

Em cada viagem, durante uma semana, Divaldo é conduzido às diversas cidades, cada noite em uma delas, retornando sempre a Paramirim, após a palestra, transformada em sede das suas atividades.

Começou a divulgar o Espiritismo, a criar Núcleos que, hoje estão prósperos e fazem parte do Conselho Regional 12, vinculado à Federação Espírita do Estado da Bahia, e a dinamizar aqueles muito modestos que encontrou, com o seu verbo eloqüente, atraindo expressivo público, que os desconhecia.

Na ocasião, os obstáculos a vencer eram quase desanimadores. Por exemplo, a viagem de Paramirim a Caetité, em quase noventa quilômetros, sem estradas, passando por diversas fazendas, demorava em média 3 horas de ida e outras tantas de volta.

Com o crescimento da cidade de Paramirim e a anuência dos seus excelentes administradores, o orador e médium espírita granjeou a afeição de todos, havendo sido convidado a proferir uma Conferência na Igreja Matriz, com a anuência do Sr. Bispo episcopal…

Posteriormente, Divaldo recebeu o Título de Cidadão Paramiriense, uma rua da cidade tem o seu nome e o Centro de Cultura dedicou-lhe o salão de Conferências, que passou a ser designado em sua homenagem.

Paramirim é uma cidade encantadora, hoje com aproximadamente vinte mil habitantes, generosos e educados, gentis e nobres, que têm sabido valorizar o esforço daqueles que a visitam e a dignificam.

Em decorrência da divulgação do Espiritismo, foi criado, no dia 05 de maio de 1980, o Centro Espírita Fraternidade, pelo Dr. Epaminondas e sua esposa Prof. Vanda, que divulgam a Doutrina com elevação, realizando um trabalho digno de respeito.

No dia 16 de julho, Divaldo, nós outro, a farmacêutica Ziza de Sá Oliveira, a engenheira Rose Cerqueira Muzzi, todos da Mansão do Caminho, fomos participar da jornada anual, o que vem acontecendo em anos anteriores, quando amigos e trabalhadores espíritas têm acompanhado o nosso querido médium à região, hospedados pelo casal Epaminondas –Vanda Corrêa e Silva e sua irmã Prof. Dilma, ex-Diretora da Escola Jesus-Cristo, pertencente à nossa instituição, em Salvador.

À noite, às 20h., no Centro Cultural Nabor Cayres de Britto, Divaldo pronunciou a primeira Conferência da temporada, atendendo ao tema que lhe foi proposto, Encontro com a paz e a saúde, inspirado no título de obra recente, ditada pelo Espírito Joanna de Ângelis.

Estavam presentes mais de 300 pessoas, incluindo amigos que vieram de outras cidades da Região, mantendo os vínculos de amizade e de respeito.

Na noite de 17, às 20h., a sede do Grupo Espírita Fraternidade foi insuficiente para atender a quase 180 pessoas que ali acorreram para escutar o tema Espiritismo e Educação, seguindo a orientação da Federação Espírita Brasileira. O ato revestiu-se de uma característica especial: Divaldo estudou a tese por quarenta minutos e depois atendeu a perguntas propostas pelo público, por mais quarenta minutos, após o pequeno intervalo que foi estabelecido para dar margem à elaboração das questões. Foram respondidas 15 questões com verdadeira sabedoria, fazendo sempre uma ponte entre o Espiritismo e a Educação, conforme a proposta do Relatório Jacques Delors, a respeito dos quatro pilares e os 7 saberes necessários, de Edgar Morin, no seu notável livro Educação: um tesouro a descobrir, atendendo à solicitação da UNESCO, enquanto que a tese espírita fundamentada nos comentários do notável Codificador Allan Kardec, à questão 685 de O Livro dos Espíritos, quando o mestre se refere à educação moral, e informa que educação é o conjunto dos hábitos adquiridos.

A atividade, coroada de êxito, repercutiu profundamente agradável e esclarecedora no auditório, que esteve repleto de educadores da cidade e de outras da região, especialmente convidados para o evento.

Na noite de 18, rumamos a Brumado, para a Conferência que teve como título Espiritismo e Família, atendendo, ainda, à programação estabelecida pela Federação Espírita Brasileira. Como de outras vezes, o auditório do Clube Social de Brumado foi insuficiente para receber o volumoso público que ultrapassou o número de 800 pessoas, tendo sido providenciada a colocação de um telão, como ocorreu, às vésperas, no Centro Espírita Fraternidade, em Paramirim.

Divaldo discorreu com sabedoria a respeito da família dignificada pelo pensamento espírita e as suas responsabilidades na educação das gerações novas, tendo em vista o futuro da Humanidade.

Depois, fomos recepcionados no Lar de Idosos Luiza Marillac, da cidade, retornando a Paramirim pelas primeiras horas da madrugada.

No dia 19, seguimos a Érico Cardoso, para o estudo do Evangelho no lar da veneranda Prof. Evangelina Magalhães Brasil (D. Fifi), que recebeu Divaldo desde a primeira vez, no já recuado ano de 1971.

O tema de análise, retirado de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, foi referente à Beneficência, página ditada pelo Espírito Adolfo, Bispo de Argel, admiravelmente comentada por Divaldo, que a ilustrou com uma comovedora história de autoria de Léon Tolstoi, sobre a visita de Jesus a um modesto sapateiro, que o aguardou com imensa ternura…

A atividade transcorreu no período das 10h às 12h, havendo atraído pessoas convidadas pela anfitriã.

Divaldo sempre psicografa ali mensagens ditadas pelo Espírito Amélia Rodrigues, que tem escrito várias obras já publicadas, utilizando-se das horas disponíveis do querido médium.

Como em Paramirim existe uma linda lagoa, a notável escritora desencarnada informa com bom humor que ali se inspira, evocando o mar da Galiléia, para desenvolver os temas que dizem respeito à incomparável figura do Mestre Jesus.

À noite, participamos do estudo do Evangelho no lar de Dr. Gilson Ângelo e Sra. Oliveira, no qual participaram diversos convidados membros do Centro Espírita Fraternidade.

Algo muito interessante aconteceu. Convidado a dirigir a reunião, Divaldo abriu O Evangelho segundo o Espiritismo, edição do IDE, e saiu a mesma página da manhã, embora com outro exemplar, pertencente à FEB. O tema, portanto, foi A beneficência, ensinando-nos quanto estamos necessitados de vivenciá-la, em todos os momentos da nossa existência. Divaldo comentou a lição, sendo-lhe solicitado pelo Dr. Epaminondas que repetisse o belo conto de Léon Tolstoi, conforme o fizera pela manhã, havendo sido prazerosamente atendido pelo nosso médium.

O dia 20 foi dedicado à psicografia e à convivência com a família Corrêa e Silva.

No dia 21, as atividades foram múltiplas, atendendo amigos e confrades, psicografando e, às 19h30 participação na reunião mediúnica do Centro Espírita Fraternidade, com reduzido número de freqüentadores, aqueles que se encontram habilitados para o mister. Entre as diversas comunicações de sofredores, houve duas comunicações psicofônicas dos Espíritos João Cléofas e Joanna de Ângelis e uma, psicografada, de autoria do Espírito Amélia Rodrigues, intitulada …E os samaritanos não O receberam…

No dia 22, no salão Divaldo Franco do Centro Cultural Nabor Caíres de Britto, teve lugar o Mini-Seminário sobre o Sesquicentenário de O Livro dos Espíritos, ao qual compareceram confrades procedentes das cidades de Macaúbas, Rio do Pires, Livramento de Nossa Senhora, Brumado, Vitória da Conquista, Rio de Contas, Guanambi, Érico Cardoso e Paramirim, que vieram em ônibus, automóveis e vans, ficando lotado. Aberto o Mini-Seminário pelo Dr. Epaminondas Corrêa e Silva, em nome do Conselho Regional Espírita 12, Divaldo foi homenageado com um quadro de pintura retratando a lagoa de Paramirim e um troféu, pelo transcurso dos seus 60 anos de atividades espíritas, especialmente gratidão pelos 36 anos de divulgação nesta Região, como pelos seus 80 anos de idade.

A seguir, Divaldo fez uma abordagem em torno do tema, em uma análise político-sociológica sobre a França, na segunda metade do século XIX, depois assinalando as lutas que o Prof. Rivail travou até o surgimento de O Livro dos Espíritos, no dia 18 de abril de 1857, estudando o conteúdo da obra, sua atualidade, conclamando os espíritas à fidelidade doutrinária e ao trabalho com Jesus. Depois de 1h30 de estudos, houve um intervalo, após o qual, foram atendidas 22 perguntas pertinentes ao tema, logo encerrando-se a atividade.

Depois das despedidas, retornamos ao lar do Dr. Epaminondas e, no dia seguinte, retornamos a Salvador, ricos de paz e gratidão a Deus, pelo dever retamente cumprido.

Nilson de Souza Pereira

Fonte: Jornal Mundo Espírita - Setembro/2007

 
     
 
 
 
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