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Sofrimentos e testemunhos de um médium - Parte 2


(Divaldo enfrentando acusação de plágio, revoluções, ditaduras, livro no Index, Persona non Grata, terremoto e doenças)

No artigo de edição anterior [abril.2007] e nesta, estamos comentando testemunhos vividos por Divaldo, nestes 60 anos de vivência espírita, para servir de estímulo e coragem aos médiuns novatos, conscientizando-se de que não devemos esperar benesses em nosso favor, mas sim a parte que nos cabe e que merecemos, em virtude da Lei de Ação e Reação (colhe-se o que se planta). Outros fatos a exemplificar são:

quando Divaldo lançou seu primeiro livro psicografado, em 1964, Messe de Amor, do Espírito Joanna de Ângelis (desde 1949, Divaldo tinha iniciado a tarefa da psicografia, e foi desde essa época estimulado, por escrito, neste mister, pelo médium Chico Xavier (1910-2002) e os Espíritos Emmanuel, André Luiz, Bezerra de Menezes até ditaram ao Chico vários prefácios para as obras mediúnicas de Divaldo), várias pessoas disseram que os livros psicografados por Divaldo eram plágio dos livros psicografados pelo Chico. Esta questão foi objeto de livro no Rio de Janeiro e artigos na imprensa de São Paulo.

Positivas nesta história são as lições que ficam para os médiuns: 1) muitos ao receber uma mensagem mediúnica ficam aflitos para querer publicá-la. Devemos combater essa afobação infantil, talvez até por necessidade de afirmação. Divaldo esperou mais de dez anos para publicar o primeiro livro psicografado, após severa análise; aguardemos a hora certa; 2) no início da psicografia, não se deve pensar que a faculdade psicográfica já esteja acabada; a regra é que haja um aperfeiçoamento ao longo do tempo; 3) não revidar ataques pois a melhor resposta do discípulo de Jesus deve ser o trabalho incessante na Seara de Jesus. Divaldo nunca revidou quaisquer agressões. Ele nunca teve tempo para responder polêmicas; 4) nunca se afastar do comportamento evangélico (de perdão, indulgência, etc.) com o próximo, mesmo que tudo pareça estar contra você. Divaldo e Chico sempre tiveram recíproco afeto e respeito, desde fins da década de 1940. Imaginem se Divaldo tivesse dado o mínimo valor a estas acusações de plágio? Surpreso ele ficou, e por alguns anos ficou sem encontrar o Chico, até se acalmarem os ânimos. Ele nunca rompeu suas relações com o Chico, e nem interrompeu a seara espírita-cristã, num outro exemplo modelar de vivência evangelizada.

Divaldo esteve no Panamá por primeira vez em 1969, para fazer palestras e coincidiu ser um período muito conturbado, pois a cidade vivia momentos de confronto armado entre a Guarda Civil e estudantes universitários. Estando em trânsito pela cidade durante o dia, pois sua palestra seria à noite, começaram confrontos nas ruas e o médium, por muito pouco, quase foi atingido por um tiro da polícia;

Divaldo esteve em Maputo/África (até 1975 era chamada Lourenço Marques), Capital de Moçambique, em fevereiro/1975, compromisso agendado com bastante antecedência. Apesar dos comentários dos conflitos internos, Divaldo não se intimidou e enfrentou a jornada com coragem e, assim que chegou ao aeroporto, os confrades disseram que ele não deveria ter ido à cidade, porque as lutas com os negros autóctones estavam intensas. Apesar de todos os tumultos, ele cumpriu os compromissos com confiança (11 palestras em 11 dias);

quando das primeiras palestras realizadas pelo médium Divaldo em Portugal e Espanha, em agosto/setembro/1967, e também nos anos seguintes, estes países viviam regimes ditatoriais (Salazar e Franco) e suas preleções foram feitas às escondidas, em porões, pois eram proibidas as reuniões públicas. Essas preleções se faziam disfarçadamente como piqueniques. Determinado e corajoso, o médium, através desses encontros, motivou e estimulou os espíritas a se reorganizarem e não deixarem de se reunir e isto permitiu que a chama do Ideal continuasse ativa, possibilitando que, anos depois, se restaurasse o Espiritismo nestes países, com a volta do Estado democrático;

em 1971, quando Divaldo foi à África, nas colônias portuguesas, para fazer palestras, ele enfrentou problemas por dois motivos: psicografou uma mensagem do Monsenhor Manuel Alves da Cunha, missionário que viveu na África, na qual relatou informações consideradas secretas pela Polícia, que convocou Divaldo, que teve que explicar a origem daquelas informações; também, o livro que psicografou de Joanna de Ângelis, Dimensões da Verdade, Ed. Leal, continha um capítulo intitulado Céu e Inferno, que foi considerado ofensivo ao regime político religioso oficial e por isso Divaldo ficou alguns anos proibido de entrar em Portugal e colônias ultramar, porque foi considerado Persona non Grata. O livro foi incluído no Index Expurgatorius (lista de livros proibidos pela Igreja Católica e vedado aos fiéis) e esta situação foi normalizada com a abertura política do país;

ele foi ao México em março de 1986. Este compromisso estava agendado com muita antecedência, como sempre acontece, e coincidiu ser seis meses depois de um violento terremoto que ocorreu nesta cidade, em setembro/1985, que destruiu muitos edifícios e deixou milhares de vítimas. A atmosfera da cidade ainda se ressentia deste cataclismo; o ar pesado imediatamente afetou Divaldo, logo que chegou de avião, atingindo sua pressão e respiração. Com muito esforço ele atendeu todos os compromissos assumidos, não desmarcando nenhum deles. A todo tempo era aconselhado pelo Espírito Joanna de Ângelis, que até aproveitou a situação para transmitir, nessa temporada, o pequeno-grande livro Filho de Deus, ed. Leal/BA;

apesar de seu incrível dinamismo, viajando o ano inteiro e tendo inúmeros e diferentes compromissos, Divaldo tem a saúde um tanto debilitada. Mas nem isso serve de justificativa e é capaz de interromper sua abençoada jornada de divulgação espírita. Enfim, ficam arroladas somente algumas das lutas enfrentadas por Divaldo com bravura, fé e coragem, ganhando com isso o próprio Espiritismo...

Washington Luiz Nogueira Fernandes

Fonte: Jornal Mundo Espírita - Junho/2007

 
     
 
 
 
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