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Conferência de Divaldo Franco em São José dos Campos, SP - 16.11.2015



 

Na noite de 16 de novembro [2015], o médium e orador espírita realizou a conferência pública, no auditório do Parque Tecnológico, para um público de mil e oitocentas pessoas, com entrada franca.

O tema abordado foi a felicidade.

Divaldo iniciou suas considerações enfatizando que todos os seres humanos buscam a felicidade sem, contudo, saberem exatamente o que ela é, onde encontrá-la ou como conquistá-la. Esclareceu que, dentro de nossas experiências humanas, em nosso estágio evolutivo, o que se constitui a felicidade para uns, para outros, é motivo de infelicidade; e que algo que nos traz alegria, num determinado momento, pode ser também o que nos provoque dor num período posterior. Isso porque, segundo ele, confundimos prazer, ilusão e alegria momentânea com felicidade, procurando-a em comportamentos individualistas, sexólatras e consumistas.

Apresentou as propostas terapêuticas de Viktor Frankl, médico psiquiatra austríaco, e de Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço. Ambos propuseram que o ser humano necessita de estabelecer para si um sentido existencial profundo, de eleger um ideal nobilitante, e passar a vivenciá-lo.

Para Frankl, a vivência desse sentido profundo da vida seria essencial para o equilíbrio da saúde integral; e para Jung, essa vivência evitaria que nos tornássemos um peso morto na economia social, contribuindo, assim, para uma sociedade harmônica e feliz, decorrência da harmonia e felicidade do indivíduo.

Para ilustrar as reflexões, Divaldo narrou a comovente história do médico estadunidense Dr. Tadeu Merlin que, quando ainda jovem e recém-formado em Medicina, era a favor da eutanásia. Certo dia, ao atender uma senhora que estava em difícil trabalho de parto em sua residência, viu-se diante de um grande dilema: a criança nasceu com uma deformidade em uma das pernas e, para ele, aquilo era uma verdadeira desgraça, pois considerava que a criança não teria nenhum futuro e seria um grande peso na vida da parturiente, que era mãe de seis filhos e cujo marido a havia abandonado. O que fazer? A sua lógica materialista dizia que a solução mais acertada seria a eutanásia. Mas, no exato momento em que ia praticar o ato, ouviu sua própria consciência lhe advertir: Que tens tu com isso? Deixa-o viver!

Anos mais tarde, Dr. Tadeu experimentou a dor da desencarnação trágica de sua filha e genro, assumindo, com sua esposa, os cuidados com a neta. Tempos depois, a garotinha apresentou gravíssima enfermidade, cujo prognóstico era de morte breve e dolorosa. Como último recurso, ele e a esposa procuraram um  médico, que tinha desenvolvido uma vacina, ainda não testada em humanos. Após submeter sua neta àquele tratamento, ela ficou radicalmente curada e, com a aprovação da vacina, a doença tornou-se perfeitamente tratável e erradicada. O médico que descobriu a cura da doença e que salvou a neta do Dr. Tadeu Merlin era aquela criança que ele, um dia, pensara na possibilidade de exterminar pela eutanásia, porque houvera nascido com um defeito na perna.

Dessa narrativa, ressaltou o conferencista, podemos compreender a felicidade como o resultado ou a colheita de todo o bem que espalhamos pelo mundo.

Divaldo também analisou as quatro propostas filosóficas em torno da felicidade. A primeira, que é a proposta hedonista ou epicureia, afirma que a felicidade consiste em se ter, mas a crítica a ela está no fato de se constatar que a maioria daqueles que possuem, sofre e é infeliz, porque, invariavelmente, perturba-se com a posse e teme perder o que tem.

A segunda, em sentido oposto, diz que ser feliz é não se ter nada e a crítica feita a essa proposta é a que muitos são escravos até daquilo que não tem e tornam-se infelizes por não possuírem algo ou alguma condição.

A terceira, centralizada na doutrina estoica, apregoa que a pessoa deveria abandonar-se a um estado de apatia, resistindo à dor sempre, como demonstração de virtude; e a crítica a ela consiste no fato de que não é possível viver constantemente resistindo a todas as dores, em decorrência de nossas limitações naturais, morais e físicas.

A quarta proposta, fundamentada nos ensinos de Sócrates, assevera que a felicidade não consiste no ter, mas em ser, em se cultivar os valores ético-morais e viver-se em conformidade com a consciência, na qual estão escritas as Leis Divinas.

Essa proposta socrática também foi apresentada por Jesus, que nos recomendou o amor a Deus, ao próximo e a nós mesmos, portanto, o amor aos semelhantes e o autoamor, assim como também ofereceu-nos a regra áurea de conduta, ao dizer-nos que não deveríamos fazer aos outros o que não gostaríamos que nos fizessem.

Nesse mesmo sentido, o Espiritismo aponta o verdadeiro espírita ou o verdadeiro cristão como sendo aquele que realiza a sua transformação moral para melhor e envida todos os esforços para evitar ser arrastado por suas más paixões.

Com essa filosofia, a Doutrina Espírita traçou um verdadeiro caminho para a felicidade, oferecendo um sentido ético-moral profundo para a existência humana, que é a Imortalidade, a qual nos premiará com os frutos centuplicados de todo o amor que tivermos espalhado na Terra.

Em suas palavras finais, Divaldo destacou que todas as crises existentes no mundo são meras decorrências da verdadeira crise, que é individual, a crise moral e espiritual do ser humano e que não há outra solução para ela senão o amor, conforme nos propôs Jesus.

A conferência foi encerrada com os versos do Poema da Gratidão, do Espírito Amélia Rodrigues.

 Júlio Zacarchenco.
Em 17.11.2015.

 

 
     
 
 
 
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