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Divaldo Franco coordenou seminário em Fortaleza, Ceará




A convite da Federação Espírita do Ceará – FEEC, Divaldo Franco coordenou seminário abordando o tema Sexo e Obsessão, nos dias oito e nove de março, transato, no Luxor Hall do Hotel Porto d’Aldeia, das 8h30min às 17h50min, oportunidade em que lançou seu livro Sexo e Obsessão, ditado pelo Espírito Manoel Philomeno de Miranda. Cerca de quatro mil e cem pessoas participaram do seminário.

Na ocasião Divaldo concedeu entrevista ao jornal Diário do Nordeste, da qual transcrevemos algumas perguntas e respostas.

Diário - Com relação ao legado de Freud sobre a sexualidade, o desejo e a histeria....

Divaldo - Para nós, Freud foi um dos maiores missionários na área da Psiquiatria a estudar as questões sexuais. Ele penetrou no mais profundo do inconsciente humano. Embora seja Jung que interpretou melhor o inconsciente individual e o coletivo. Freud estabeleceu que a raiz de qualquer transtorno comportamental era oriundo de determinados desvios sexuais. Estabeleceu a libido como a força básica dos conflitos do indivíduo. Para nós, ele exagerou em considerar o ser humano apenas como animal sexual. É a ditadura do sexo. Nós acreditamos profundamente na força da libido, mas acreditamos também que existem outros valores. Aliás, Freud colocou muito bem que a libido não é apenas um valor sexual. É o prazer genérico. É o indivíduo que enfrenta a glutonaria, o alcoolismo, por exemplo. São manifestações que levam ao prazer, ao desejo, a uma forma de libido. O importante é que Freud acabou com o puritanismo elisabetano; um puritanismo profundamente falso. Pôs fim a velhas tradições segundo as quais o sexo seria imundo. O sexo não é imundo. A mente, sim, é que o vê como tal. No entanto, como a sua formação psiquiátrica em Viena era eminentemente naturalista, ele concluiu que morreu o cérebro, morreu o indivíduo. Para nós, morre o cérebro, mas não a vida. O indivíduo leva a sua herança.

Diário - A reencarnação seria o grande dogma do espiritismo?

Divaldo - Por incrível que pareça, o espiritismo não tem dogmas. Ele tem princípios, fundamentos, paradigmas. A reencarnação explica a razão da vida, de estarmos no mundo. Porque alguns nascem felizes e outros não; uns são feios e outros são belos; porque alguns são inteligentes e outros não; uns nascem ricos e outros miseráveis. Ora, acreditando na unicidade da existência e em Deus seria um absurdo explicar tantas injustiças. Somente a reencarnação explica essas diferenças. E mais: explica ainda os transtornos psiquiátricos e os desvios de comportamento. A reencarnação é um dos nossos pontos básicos. Se o indivíduo não acreditar em Deus, logicamente ele não aceitará a imortalidade da alma. Por conseqüência, não acreditará no espiritismo. O espiritismo é a crença em Deus, na imortalidade da alma, na comunicabilidade dos espíritos, por fim, a crença na reencarnação. E para acreditar na reencarnação é fundamental aceitar que o espírito vive e o corpo morre. Aceitar a pluralidade dos mundos.

Diário - Como se daria a comunicação entre estes mundos?

Divaldo - Nós vivemos num mundo de ondas, vibrações de mentes, de intercâmbios. Cada um de nós ocupa uma faixa vibratória. De acordo com nosso padrão de ondas, sintonizamos com outras ondas equivalentes. Somos a soma de todas as experiências de outras vidas. Quando morremos, entramos num campo compatível com nossa conduta ética, moral e espiritual.

Diário - E com relação à obsessão?

Divaldo - São energias negativas. Se sou uma pessoa cuja vida moral encontra-se num patamar negativo existirá uma sintonia também negativa com o mundo espiritual. Torno-me uma verdadeira tomada.

Diário - O senhor exemplifica em seu livro celebridades cuja vida sexual não foi nenhum exemplo moral...

Divaldo - Refiro-me a algumas celebridades. Cleópatra associou a sua beleza ao poder do Egito. Primeiro com Júlio César; depois com Marco Antônio. Na Bíblia, também encontramos personagens cuja conduta sexual foge aos parâmetros, digamos, civilizatórios. Dalila, por exemplo, vendeu-se aos filisteus. Nos tempos modernos, refiro-me a Marilyn Monroe e Rita Hayworth. Encontramos na televisão, no cinema e na sociedade celebridades que atingem o pódio não por determinados valores morais de comportamento, mas por causa do valor do sexo. Tornam-se sex simbols. Mas têm duração efêmera. Por mais que a pessoa mantenha o culto ao corpo, a libido acaba por desaparecer com a idade. É a inexorável perda de hormônios.

Diário - O Brasil é um dos países com maior número de espíritas do mundo. Como o senhor explicaria este fenômeno?

Divaldo - Temos, segundo estatísticas, mais de sete milhões de espíritas. Mas elas não revelam a verdade. Este número não corresponde à realidade. Muita gente ainda tem preconceito. Prefere declarar uma doutrina tradicional que não a nossa. Somente centros espíritas vinculados à Federação são cerca de dez mil. Acho que temos por volta de 15 milhões de espíritas.

Diário - Mas por que o Brasil é o maior país espírita do mundo?

Divaldo - Pela nossa miscigenação. Nossas heranças indígenas e africanas. E também por causa da cultura européia, portuguesa. O português é um povo muito crente. Veja a mudança dos deuses convencionais realizada no Brasil pela nossa herança africana. São muitas. Oxalá é o Senhor do Bonfim; Janaína é Nossa Senhora. Quando o espiritismo chegou ao Brasil, por volta de 1875, houve uma reação acadêmica e clerical, hoje suplantada. Por outro lado, as doutrinas ortodoxas estão em crise por causa da decadência dos valores e o academicismo encontra-se arrebentado em conseqüência das conquistas modernas. Tudo que era paradigma no Século XX, não é mais no Século XXI.

Diário — Por que o senhor coloca o espiritismo como doutrina e não como religião?

Divaldo - O espiritismo é uma religião. Não uma religião formal. Não temos nenhum tipo de ritual, não temos culto. Preferimos dizer que é uma doutrina religiosa e não uma religião doutrinária. Nossos postulados são aceitos racionalmente. Allan Kardec foi tão notável que disse ser melhor negar dez verdades a aceitar uma mentira. No dia que a ciência provar que nós espíritas estamos errados em algum ponto, abandonamos este ponto. Seguimos a ciência. Nossa doutrina se fundamenta nos fatos. Nós abandonaremos este ou aquele conceito caso haja qualquer tipo de contradição.

Diário — Vivemos, assim, em duas dimensões: uma material e outra espiritual. A ciência explica esta dinâmica?

Divaldo - Sim, por que não? Existe uma ponte para que não haja dois mundos. É um mundo só em dois campos vibratórios. Como uma antena de televisão. Você vai caminhando na rua e de repente olha para trás e tem a impressão de que alguém está olhando para você. Isso, logicamente, não foi somente impressão. Ou quando encontra um conhecido diz: estava pensando em você. E o outro responde: eu também. Ora, isso é uma telepatia direta do inconsciente. Os fenômenos, como a obsessão, estão ocorrendo hoje com a maior naturalidade.

Diário — Vivemos um mundo onde o caos impera. Tanto moral, quanto social, inclusive, com ameaça de guerra. O senhor é otimista com relação ao destino da humanidade?

Divaldo - Desse caos não pode sair nada pior. Somente renovação. É necessário muitas vezes destruir para renovar. Esta é uma das questões abordadas por Allan Kardec no capítulo a “Lei da Destruição”. Se não houver destruição, não existirá renovação. Estamos passando por um período decadente há anos. Enquanto acontece o desenvolvimento industrial, tecnológico, científico, ao mesmo tempo, ocorre um declínio ético e moral. Isso é natural. O ser humano hoje desfruta de benefícios jamais imaginados. Isso em vez de apaziguá-lo, atormenta-o. Ele quer sempre mais. Sou de uma família muito modesta. Quando era criança, o pobre era uma pessoa com um determinado padrão de vida. E aceitava aquela situação. Hoje, ele não aceita. Existe um conflito econômico e sociológico muito forte. Ele vê tanto poder, tanta glória que se revolta. O pobre também, com razão, quer ter a sua televisão, seu carro, sua casa. As coisas estão tão invertidas que, às vezes, a televisão que o pobre tem dentro de casa é mais cara que o seu barraco. É um paradoxo. Isso gerou o caos, a revolta. O consumo desequilibrou o indivíduo. Deste desequilíbrio, nasce a luta. Mas também advém um novo processo. Temos hoje várias entidades preocupadas com os direitos humanos, os direitos da mulher, da criança, do velho. Entidades internacionais como a ONU, a FAO, a Unesco. Este é o contraponto. Há 70 anos, quando era menino, tenho hoje 75, minha mãe era empregada, nunca saiu da pia de lavar roupa e ainda buscava água na cabeça. Nem meu pai, nem eu, nem meus irmãos, somos cinco homens, ajudavam-na naquela tarefa. Ninguém ia buscar água. Era tarefa dela. Acho isso hoje de uma crueldade sem limites, uma perversidade incrível. Hoje, a mulher é mais respeitada. Em que época da humanidade, houve tanto amor como hoje. Muitos destes órgãos visam ao bem-estar da humanidade. É também um grande salto. Vamos esperar ainda um pouco para que a cultura do amor, da fraternidade e da beleza se consolide. Embora, convivamos hoje com a ameaça de guerra. Haverá uma regeneração no Planeta Terra. Você vai adquirir sentidos éticos, estéticos, vai poder amar sem a grande preocupação do intercurso sexual.

José Anderson Sandes - Editor do Caderno 3
Participou da entrevista a jornalista Rose
Mary Bezerra, da Editoria do Viva

Fonte: Jornal Mundo Espírita - Abril/2003

 
     
 
 
 
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