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O Verbo encantador


O dia brincava ainda nos extensos campos com preguiça de ir-se embora. A tarde era um festival de luz.

Próximo a florido laranjal, sob frondosa árvore junto a cantante regato, perto de 400 jovens nos quedávamos sentados no chão, olhos marejados, feições serenas, embevecidas; quiçá o pincel de inigualável artista houvesse criado o quadro encantador que podia ser ali admirado.

Corria o ano de 1962, mês de abril, encerramento de mais uma Combesp, encontro que congregava jovens espíritas que mediavam entre 15 a 25 anos, e, naquele momento, nada quebrava a magia que nos trazia ali atentos, magnetizados.

Era, e é ainda, magistral o mago que assim nos encantava.

Jovem, também, mediana estatura, presença harmoniosa, estava postado à sombra amiga de velha árvore; os olhos semicerrados pareciam fitar ignota paisagem que ia descrevendo com inigualável mestria.

A voz forte e doce, ao mesmo tempo, estava possuída por especial encanto e penetrava as almas juvenis que acompanhavam, suspensa na ternura que se irradiava dela.

A estória narrada era comovedora, mas era o orador o responsável pelo clima criado no bucólico ambiente.

A mensagem primorosa arrancava da assistência reprimidos soluços, e a linguagem dúlcida do bem, estimulada por ele, tecia promessas de renovação entre os que o ouvíamos.

Aqueles moços, que fugiam do bulício do mundo para vivenciarem, no feriado prolongado, as primícias da dedicação e estudo do Espiritismo, sentiam, ainda uma vez, a força do verbo encantador que se elevava para ensinar encantando ou encantar ensinando, como fizera antes e continuaria a fazer.

Acreditamos que, se um dos botões das laranjeiras próximas ousasse abrir ou um pássaro atrevido cantasse, alguém se voltaria para dizer: Silêncio, Divaldo Franco está falando, em nome de Jesus.

Ana Guimarães

Fonte: Revista Cultura Espírita, do Instituto de Cultura

Espírita do Brasil/Rio de Janeiro, ano II, nº 17, agosto/2010.

Em 27.09.2010.
 
     
 
 
 
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