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Missionário da Doutrina Espírita




Causa estranheza, algumas vezes, o fato de o médium e conferencista espírita Divaldo Pereira Franco, realizar viagens a países e cidades, nos quais, ou não existem militantes do Movimento Espírita, ou o seu número é muito reduzido, quando, no Brasil, contam-se aos milhares aqueles que o vão assistir prazerosamente, nos mais variados tipos de auditórios: Câmaras, Clubes, Cinemas, Teatros, Ginásios e até mesmo Estádios de Futebol...

O atual Presidente da Federação Espírita Portuguesa, Cel. Arnaldo Costeira,  sempre afirma de público a excelência do trabalho por Divaldo desenvolvido e os opimos frutos das viagens realizadas ao seu país, inclusive, no que diz respeito ao ressurgimento do Movimento Espírita, após os lamentáveis e dolorosos anos da ditadura salazarista, quando os espíritas eram perseguidos, tinham os seus nomes assinalados em documentos com uma faixa vermelha, que significava serem perigosos para o Estado.

Foi Divaldo Franco quem quebrou as algemas dessas dificuldades, sendo o primeiro espiritista a percorrer o país, naquele período, divulgando o Espiritismo.

No ano de 1967 – em pleno regime ditatorial – havia no país dois Órgãos (Revistas mensais) de divulgação do Espiritismo, ambos discretíssimos: Estudos psíquicos, dirigido por Isidoro Duarte dos Santos e Fraternidade, dirigido por Eduardo de Mattos, que circulavam internamente e no Exterior.

Não funcionava nenhuma Instituição Espírita, pois que isso era proibido.

No mês de agosto do referido ano de 1967, convidado pelo casal Júlio e Stella Trindade, que residiam no Rio de Janeiro, Divaldo aceitou o desafio de ir proferir conferências no país irmão sob risco de prisão ou de ser considerado personna non grata, e recambiado de volta ao Brasil.

Os contactos com os espiritistas foram realizados através do referido Eduardo de Mattos e do Sr. Casimiro Duarte, que se comunicaram com os assinantes da Revista Fraternidade e organizaram um roteiro temerário.

A primeira conferência teve lugar, em Lisboa, na Casa da Comarca de Arganil, e atraiu mais de duzentos interessados. Logo depois, começou a digressão por Cartaxo, Almeirim, Leiria, Santarém, Coimbra, Encoberta (aldeia), Porto, e depois, novamente Lisboa, Beja, Quarteira, Lagos, Vila Real de Santo Antônio, Portimão, para citarmos apenas alguns dos lugares visitados.

As reuniões realizavam-se normalmente em residências de costureiras, sedes de Instituições, ou no campo, qual aconteceu num grande encontro de encerramento em Lisboa, e mesmo, em horário inusitado, conforme teve lugar na aldeia de Encoberta (Viseu), quando a reunião começou à meia-noite, a fim de não chamar a atenção dos curiosos, nem da PIDE (Polícia Internacional do Estado), muito semelhante à GESTAPO. Informava-se, na época, que esta última fora a inspiradora e a organizadora da primeira, como convém aos ditadores.

Divaldo comoveu auditórios e a Revista Fraternidade dedicou-lhe praticamente todo um número, narrando a excelência do trabalho realizado.

De Portugal, Divaldo seguiu à Espanha, onde repetiu a mesma grandiosa façanha, falando em lugares discretos, pois que o país vivia o amargo período da ditadura franquista, na qual o Espiritismo também era perseguido.

Logo depois, alongou-se à França e à Inglaterra...

Fatos mediúnicos incomuns assinalaram-lhe a trajetória, facilitando essa extraordinária realização, que culminou na criação da Federação Espírita Espanhola, anos depois, através do esforço incomum de Rafael González Molina, que vivera no Brasil e tornara-se espírita, em São Paulo.

Este intróito para referir-nos à mais recente jornada realizada pelo querido trabalhador, por terras portuguesas, no passado mês de outubro, da qual, também participamos, qual vem ocorrendo nos últimos quinze anos...

No dia 17, pela madrugada,  chegamos a Lisboa e, logo a seguir, viajamos à cidade do Porto, onde Antônio Fortes nos recebeu com a sua proverbial gentileza. Após um breve descanso, seguimos à cidade de Braga, onde, no Centro Espírita Luz no Caminho, para um público de 380 pessoas, Divaldo abordou magistralmente o tema Imortalidade e Obsessão, sensibilizando o auditório. Após a abordagem e contato com alguns amigos, passou a dar autógrafos em algumas das suas obras mediúnicas. Retornando à cidade sede (Porto), chegamos ao Hotel a 1h da manhã. A distância entre o Porto e Braga é de 60 kms, percorridos com equilíbrio na excelente autoestrada.

No dia 18, a conferência da noite teve lugar na Faculdade de Economia da Universidade Federal do Porto, para um público de 320 pessoas, sobre o tema Libertação pelo Amor, por sugestão do seu organizador, o caro confrade Porfírio Lago, que dirige o Centro Espírita Joanna de Ângelis, na cidade de São Mamede Infesta.   A conferência foi coroada de êxito, em razão do oportuno tema, que levou muitos ouvintes às lágrimas, quando Divaldo narrou uma história profundamente comovedora. Houve autógrafos e intercâmbio fraternal com as caravanas que vieram de diversas cidades bem como os amigos do Porto.

No dia 19 as chuvas chegaram, o que tornaria as viagens mais penosas. Nada obstante, seguimos na direção da cidade de Chaves, às 18h e gastamos 2h30min, em um percurso muito difícil, inclusive, por uma pista única, em largo trecho de serras. A conferência esteve aos cuidados do Centro Cultural Espírita de Chaves, por solicitação da Federação Espírita Portuguesa. Estavam presentes, aguardando-nos, no Auditório da Câmara, 134 pessoas e o tema abordado atendeu à solicitação dos organizadores, aliás muito complexo e variado, no qual foram referidos o Espiritismo, A criação do Universo, A reencarnação, A lei de causa e efeito e a Imortalidade da Alma, o que Divaldo conseguiu realizar numa síntese brilhante e oportuna. Antes do ato, foram apresentados belos números de violino, tocados com mestria por um professor de Kiev (Rússia), hoje residente naquela cidade. A palestra durou 1h10min. Concluindo-a, Divaldo atendeu com a sua gentileza constante, todos que o buscaram para autógrafos, solicitações de orientações espirituais, seguindo à residência do organizador do Evento para um lanche e retornando ao Hotel, em um percurso de novas 2h30min.

O dia 20 amanheceu chuvoso e úmido. O cansaço decorrente das viagens começou a insinuar-se-nos vagarosamente. Para estarmos dispostos, descansamos uma hora e logo fomos preparar-nos para a jornada da noite, que teve lugar em Coimbra, a uma distância de 125 quilômetros. A conferência realizou-se no Hotel Santa Inês, conforme vem acontecendo nos últimos anos. Estiveram presentes 220 pessoas e foi abordado o tema Esquizofrenia e Espiritismo, que muito impressionou o auditório, em face das referências técnicas sobre esse grave transtorno psicótico e depois, sobre a contribuição inestimável do Espiritismo, que amplia o elenco das psicogêneses em torno das enfermidades mentais e desvios comportamentais. Fomos jantar na residência dos organizadores da atividade Fernando e Leonor Santos, fundadores e diretores do Centro Espírita Allan Kardec (de Coimbra) chegando ao Hotel, no Porto, às 2h00 da manhã, percorrendo mais 125 kms. de retorno.

No dia 21, trabalhamos pela manhã, cuidando dos compromissos de visitas a enfermos até à hora do almoço. Descansamos e seguimos a Leiria, um pouco mais longe, a fim de falarmos na Associação Espírita de Leiria, sobre o tema Imortalidade da Alma e Mediunidade. A Associação é dirigida pela Dra. Isabel Saraiva, que construiu uma sede monumental. O tema, abordando a visão do Papa Pio X, que teve o Cardeal Eugênio Paccelli, que se tornaria Papa Pio XII, conforme lhe profetizara o Espírito, serviu de base para as considerações em torno da mediunidade com e sem o conhecimento da Doutrina Espírita. O público de 400 pessoas esteve atento às considerações preciosas e, após o aplauso demorado, vieram os autógrafos, as saudações. Retornamos ao Hotel, chegando a 1h30min da manhã. Da cidade do Porto a Leiria a distância é de 200 kms. Tivemos a grata satisfação de encontrar o Engº Vitor Mora Féria, Vice-Presidente da Federação Espírita Portuguesa, que viajou especialmente de Loulé (Algarve), a fim de participar das atividades conosco, no fim de semana. Todos retornamos jubilosamente à cidade do Porto.

No dia 22, a atividade teve lugar na cidade de Águeda, sob o patrocínio do confrade Dr. Lutênio, que dirige o Centro Espírita Consolação e Vida de Águeda. O querido amigo conseguiu da Câmara Municipal o belo Teatro São Pedro, onde teve lugar a conferência, às 16h, sobre o tema Evolução Histórica do Materialismo e do Espiritismo, para um público de 610 pessoas. Pela primeira vez era realizada uma conferência espírita em um auditório dessa natureza para o público em geral, em Águeda, embora diversos Seminários e palestras outras já houvessem sido realizadas naquela bela cidade. Terminada a reunião, que contou com a presença da Dra. Carla Jacinto, vereadora da Cultura, representando o Presidente e a Câmara do Concelho de Águeda, fomos homenageados: Divaldo com a medalha da cidade, livros, CDs, uma placa e outros documentos; nós outro, pelos serviços relevantes prestados à sociedade, com livros, CDs e outros documentos, o mesmo sucedendo ao Engº Vitor Mora Féria. Depois dos cumprimentos, autógrafos e agradável convívio com amigos de diversas cidades, retornamos ao Porto, distante 100 km, a fim de descansarmos.

No domingo, dia 23, foi realizado no belo salão do Hotel Ipanema Park,  na cidade do Porto, custodiado pelo Sr. Antônio Fortes, por solicitação da Federação Espírita Portuguesa, o Seminário intitulado Conflitos Existenciais, em dois módulos entre 10h e 13h com um intervalo, seguido de um horário para almoço, recomeçando às 15h com prolongamento até às 18h, com um breve intervalo. Estiveram presentes 301 pessoas que ouviram atentamente a exposição, propondo inúmeras questões na parte final do Seminário e que foram respondidas com muita segurança pelo expositor, a todos deixando sensibilizados.

No dia 24, após o primeiro dia de repouso real, seguimos com destino a Figueira da Foz, que dista 160 km do Porto. A palestra foi proferida, para um público de 260 pessoas, na Associação Espírita de Figueira da Foz, bela sede edificada pela senhora Lucinda dos Santos. O tema foi Visão Espírita da Mediunidade e os Fenômenos Mediúnicos na Igreja de Roma, durante 1h10min. Repetiram-se a convivência com amigos, os autógrafos. Retornamos ao Porto, chegando ao Hotel, às 2h00.

No dia 25, visitamos a Instituição Coração da Cidade, no Porto, onde é realizado um trabalho comovedor, atendendo-se a milhares de necessitados, mediante alimentos, roupas, orientação espiritual e socorro econômico e moral. À noite, viajamos a Fiães da Feira, distante 40 km, para falar no Centro Espírita Cristão, fundado e dirigido por Álvaro Bastos, verdadeiro exemplo de dedicação ao Espiritismo, sobre o tema a Mediunidade na História.  Estiveram presentes 260 pessoas e a palestra prolongou-se por 1h15min. Ao seu término, fez-se a fila para saudações e assinaturas de livros, breve conversação e intercâmbio de amizade. Retornamos ao Hotel a 1h30min. O Cel. Arnaldo Costeira, Presidente da Federação Espírita Portuguesa deu-nos a grata alegria de vir da cidade de Viseu para participar da conferência, desse modo, homenageando-nos.

No dia 26, após as despedidas dos amigos da cidade do Porto, viajamos a Santarém, a 220 km de distância, local onde se encontram os despojos de Pedro Álvares Cabral. O tema Transtorno Depressivo e  Obsessivo, para um público de 132 pessoas, foi desenvolvido na Associação Cultural Espírita de Santarém. Ali esteve uma das pioneiras do Movimento Espírita em Portugal, que Divaldo conheceu em 1967, quando proferiu palestra no seu lar, no período das catacumbas, D. Maria Luísa, que é um verdadeiro exemplo de fé e dedicação à Causa. A palestra causou um grande impacto no auditório que ovacionou o orador demoradamente. Estavam presentes o Cel. Arnaldo Costeira e o Engº Vitor Mora Féria, que veio do Algarve, para onde seguimos, terminado o compromisso, viajando 375 kms. e chegando a Loulé às 3h da manhã.

No dia 27, às 17h Divaldo e Vitor Féria venceram 280 km até Lisboa, para a conferência, que teve lugar na Associação dos Comerciários de Lisboa, para um público de 600 pessoas, sobre o tema A Mediunidade a Serviço do Bem, causando grande emoção ao público, que aplaudiu demoradamente Divaldo. O Evento foi patrocinado pela União Espírita de Lisboa. Antes da conferência houve apresentação do Jogral Espírita de Lisboa, com poemas psicografados pelo médium Francisco Cândido Xavier, de autoria de poetas portugueses, retirados da obra Parnaso de Além-Túmulo e mais dois outros poetas.Terminada a conferência, concluído o convívio e os autógrafos, Divaldo e Vitor retornaram a Loulé, chegando às 2h da manhã.

Pode-se imaginar o cansaço que nos assaltava, considerando-se as viagens diárias e longas, na sua maioria.

No dia 28, descansamos, pela manhã, em Loulé. À noite, Divaldo proferiu uma palestra mais íntima, no Centro Espírita O Consolador, de Quarteira, a uma distância de apenas 15 kms, dirigido pelo Engº Vitor Mora Féria, para um grupo de pessoas, sobre o tema A Segunda Oportunidade (Jesus e Kardec), para visível emoção do público, que superlotava o espaço relativamente pequeno.

No dia 29, após uma longa expectativa, iniciou-se, às 14h o V Congresso Nacional de Espiritismo, com um público de 500 pessoas, no formoso auditório da Casa da Cultura de Faro. A solenidade teve início com alguns cantos apresentados pelo coral da Associação Espiritualista de Viseu, que sensibilizou a todos. Após as apresentações dos Srs. Presidente da Federação Espírita Portuguesa e da União Espírita do Algarve, houve magistral espetáculo de piano, pela jovem Joana Vieira, recordista de conquista de prêmios, inclusive internacionais e da sua mestra russa Oxana Anikieva que a todos sensibilizou profundamente, preparando o ambiente para a conferência que foi proferida por Divaldo Franco, sobre o tema A Evolução do Pensamento, desdobrando a tese do Prof. Dr. Emílio Mira y López, em perfeita conotação com o processo da evolução conforme a Doutrina Espírita.

No dia 30 participamos das atividades do Congresso, permanecendo Divaldo à disposição das pessoas para contatos fraternais e autógrafos.

No dia 31, a conferência magistral proferida por Divaldo Franco sobre o tema É Possível Amar depois do Êxito da Filosofia Pessimista terminou com grande ovação do público de pé e comovido.

O Presidente da Federação Espírita Portuguesa encerrou o Congresso, anunciando o VI que se realizará dentro de três anos.

Nilson de Souza Pereira

Matéria publicada no Jornal Mundo Espírita/dezembro de 2005

 
     
 
 
 
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