. : Notícias
busca por notícias/mensagens
 
 
 
 

Entrevista aos Aspirantes do Núcleo da Escola Naval


Em 10 de dezembro de 1992, data em que a Cruzada Militar Espírita comemorava o seu 48° aniversário, Divaldo Franco concedeu uma entrevista a Aspirantes do Núcleo da Escola Naval, respondendo, por escrito, às perguntas formuladas pelos então Aspirantes Eduardo Fávero, Wagner da Silva Lima e Marcus Vinicius de Azevedo Braga, e enviadas a Mansão do Caminho em Salvador, BA.

ASPIRANTES: No contexto espiritual de uma organização militar, o que significa um Núcleo de Militares Espíritas?

DIVALDO: O Espiritismo é a doutrina que prepara homens para a construção de uma sociedade feliz. Uma entidade militar prepara homens para a construção de uma sociedade justa e feliz, porque através da disciplina e do culto rígido dos deveres, a organização militar estabelece como fundamento essencial a dignidade do ser perante a vida. Como efeitos imediatos, a defesa da pátria, a defesa da sociedade, a defesa da família, e mesmo quando tem objetivos bélicos, traz sempre esses objetivos em nome da paz.

ASPIRANTES: As vias hierárquicas perderiam seu sentido no interior de um Núcleo de Militares Espíritas?

DIVALDO: Em absoluto. Onde estivermos, existe harmonia e respeito às autoridades constituídas. Allan Kardec fala, em O Livro dos Espíritos, da aristocracia intelecto- moral, que é a que deve viger acima de todas as organizações. Mas nas nossas atividades no mundo, as autoridades constituídas são credoras de nosso maior respeito. Estando no templo, na atividade religiosa, a maior demonstração de que a mensagem penetrou o coração do candidato é que sendo ele uma autoridade respeitada, nivela-se na condição de irmão aos de menor nível, mas não permite a estes de nível menor desrespeitar aquela autoridade só porque é espírita.

ASPIRANTES: Como agir diante de párocos militares que tratam com parcialidade os grupos espíritas?

DIVALDO: Apelando para as leis que constituem o país e que estão acima de qualquer autoridade. Uma das funções precípuas da autoridade é respeitar a lei, e se esse não a respeita, sua autoridade desaparece. A Constituição brasileira prevê um estado livre em que todos os indivíduos têm o direito de professar a religião que lhes aprouver.

ASPIRANTES: É recomendável a prática mediúnica dentro de uma organização militar?

DIVALDO: Não é recomendável. As experiências mediúnicas devem ser feitas em uma entidade espírita já preparada para isso.

ASPIRANTES: Como conciliar uma carreira preparada para a guerra com a lei de amor e caridade?

DIVALDO: Gandhi afirmava: A não violência é o dever de cada cidadão, mas ante a defesa do fraco é necessário utilizar os recursos da violência para não ser vítima dela. O Espiritismo não prescreve a guerra, mas prescreve a defesa das vítimas, e a única maneira de defender a humanidade que padece de uma guerra é usando os meios da estratégia militar. Se os países não se equipam para manter certo equilíbrio, os poderosos opõem-se aos fracos e a anarquia toma conta do mundo.

ASPIRANTES: Que conselho o senhor daria aos aspirantes espíritas da Escola Naval para o ano vindouro e para toda a sua vida profissional?

DIVALDO: Que se deixem penetrar pelo conteúdo profundo da Doutrina Espírita, preparando-se para os dias futuros, quando, à frente de muitas vidas, deverão conduzir-se de maneira cristã. Um dos maiores exemplos que se tem na história da humanidade é o grande Maurício, comandante da chamada Legião Tebana. Esse homem, em nome do Cristo, preferiu o holocausto a abjurar sua fé. Cabe àqueles que aspiram ao ideal de se prepararem para o momento em que forem chamados à execução, estar em condições de manter a justiça, o direito, a liberdade e a preservação da vida.

Revista O Cruzado, nº 114 – junho de 1993.
Em 12.12.2016.

 
     
 
 
 
. Últimas Notícias

 
 
 
Documento sem título