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Contrastes


Não penseis que vim trazer paz à Terra.
Não vim trazer paz, mas espada...
Mateus, 10:34
 

Quando Jesus pronunciou essa frase singular, causou um certo espanto, porque toda a Sua doutrina é de amor e de misericórdia, fundamentada na compaixão e no exercício da caridade.

Todos aqueles profetas e missionários de Luz que vieram antes dEle estiveram apoiados nas propostas tiranizadoras da espada destrutiva. Ele veio como a esperança dos mais fracos, a coragem dos desfalecidos, a alegria dos desdenhados, a abnegação dos aparentemente vencidos. Ele mesmo na Cruz era o símbolo de quem fora dominado e submetido pelas espadas triunfantes dos poderosos de mentira e dos gozadores da ilusão. No entanto, ali estava como o triunfo da Verdade sobre a mentira, da liberdade sobre a escravidão, da honra sobre a vileza moral, da Imortalidade sobre a transitoriedade do mundo...

Isso, porém, somente foi reconhecido depois, assim como a Sua advertência especial sobre a espada.

À medida que os Seus nobres conceitos penetravam as vidas, todas experimentavam profundas mudanças e alteravam por completo o seu rumo. A espada, a Verdade, separava a ignorância da presunção, a dignidade da desfaçatez e do ludíbrio, o amor real pela volúpia da libido exacerbada.

Ela significava um ontem e um depois, mediante um comportamento que era o mesmo em qualquer circunstância.

Em relação aos Seus ensinamentos, não havia lugar para dubiedades, vacilações nem aparências. A aceitação deles era um divisor de águas, que somente o amor no seu mais elevado significado consegue viger.

É necessário dispor-se de muitos recursos morais e de decisões legítimas para abandonar-se toda uma trajetória de engodos para firmar-se numa realidade que não aceita conchavos para a sobrevivência, nem dissimulações para evitar prejuízos.

Com Ele ou sem Ele, não há possibilidade de postura morna, meio a meio, aguardando o vencedor da batalha, a fim de saltar-se para o lado do vitorioso mesmo que ignóbil.

Foi por essa razão que a Sua mensagem derrubou o Império Romano e impôs novos padrões de justiça, de responsabilidade, de honradez. Houve alteração total da ética de subserviência, de pusilanimidade para a conduta de desejar e fazer ao próximo o que gostaria que lhe fosse feito...

A sociedade, porém, não estava amadurecida suficientemente para manter a igualdade, a solidariedade e o respeito no mesmo padrão entre todos.

Os interesses vis e as paixões em desgoverno diluíram a espada no ardor das suas conquistas miseráveis, e os velhos hábitos e costumes corromperam a Sua mensagem e o mundo voltou ao passado.

Merece, porém, considerar que a espada está em ação... 

De que lado te encontras nestes severos dias?

 Divaldo Pereira Franco
Artigo publicado no jornal A Tarde,
coluna Opinião, em 20.8.2020.
Em 24.8.2020

 
     
 
 
 
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